19 de nov. de 2015

Acrobacia Aérea

Acrobacia Aérea

História da Acrobacia


O marco inicial da acrobacia aérea foi o término da Primeira Guerra Mundial. Com o final dos combates, sobraram muitos aviões, que não tinham mais utilidade. Alguns pilotos começaram então a realizar acrobacias com os aviões, que, como não eram construídos com essa finalidade, sempre ofereceram grande risco aos pilotos. A técnica aprendida durante os combates, fez com que eles adquirissem grande habilidade.Ao fim da primeira guerra mundial, muitos pilotos estavam desempregados, uma das primeiras idéias eram reunir um bom número de aeronaves e pilotos em fazendas ou em grandes áreas gramadas planas, cobrar entrada e proporcionar um entretenimento ao público com evoluções aéreas, o que posteriormente foram chamados de Barnstormers.
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A idéia logo foi sendo difundida e jornalistas começavam a cobrir os eventos, patrocinadores foram chegando e investindo nesta nova modalidade, porém ao decorrer do tempo a filosofia começou a tender para qual maior perigo apresentasse a atuação dos pilotos, maior seria a remuneração e o status de heroísmo do mesmo.Naquela época não havia qualquer investimento em segurança de vôo ou conscientização de risco, manobras tremendamente arriscadas eram executas muitas vezes por equipamentos sem a manutenção adequada, acarretando diversos acidentes e até mortes.As primeiras modalidades de apresentação eram individuais, elas iniciavam com os biplanos de treinamento da primeira guerra em manobras como looping, reversões, meio oito cubanos, manobras hoje caracterizadas como básicas, mas elas naquela época eram as mais avançadas manobras de combate, onde através delas os maiores ases da aviação conquistaram suas maiores vitórias em céus inimigos.
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Posteriormente houve um incremento no set de apresentações com a finalidade de atrair um número maior de público, começaram as primeiras modalidades de wingwalker, ou seja voar em um avião, só que nas asas, se segurando no trem de pouso ou pendurados nas asas.Naquela época ainda não existiam paraquedas de segurança quando inventaram este tipo de apresentação, nem é preciso dizer que inúmeros casos de acidentes fatais foram registrados.
As apresentações eram no estilo circense, porém com um grau de insanidade imenso, muitos se penduravam nas asas sem qualquer tipo de cinto que o prendesse na aeronave, alguns passavam de um avião para outro pulando de asa em asa, tentavam passar com a aeronave em vôo atravessando um celeiro, sendo que quanto maior o perigo, maior seria a atração a ser exibida e maior público, certamente.Contudo, houve a evolução da modalidade de evento aéreo, com uma maior conscientização para evitar o grande número de acidentes sofridos e proporcionar um entretenimento fascinante para o público.Hoje, o risco é menor, digamos um risco calculado, já que as aeronaves são projetadas com um maior nível de conhecimento e seguindo uma série de normas que dão maior segurança e treinamento ao piloto de acrobacia aérea.Sem contar que hoje possuímos uma infra-estrutura para o público presente, afastados do Box acrobático para as evoluções aéreas.
No Brasil, as primeiras referências de acrobacia aérea são de 1922, quando os irmãos italianos Robba, iniciaram as instruções acrobáticas na primeira escola de aviação do Campo de Marte em São Paulo, com uma aeronave Bleriot.
Logo depois dos irmãos Robba, surgiram grandes nomes que se tornaram verdadeiros mitos, entre eles os Comandantes Camargo e Pedroso, que, segundo os mais antigos, disputavam a mais bela passagem por debaixo do Viaduto do Chá, no centro de São Paulo.
Um nome que também marcou a acrobacia aérea civil brasileira foi Alberto Berteli, que começou formando acrobatas na década de 40 no Aeroclube de São Paulo e nunca mais parou. Berteli foi o responsável pelo surgimento da acrobacia esportiva na década de 70, através de seus alunos e seguidores.
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Categorias Acrobáticas


Básica/Primary
É uma categoria para introdução dos pilotos iniciantes aos campeonatos de acrobacia aérea de precisão. Ela consiste de uma seqüência simples de geralmente 5 manobras. Não há também muita rigidez por parte dos juízes em relação a possíveis saídas das aeronaves das limitações laterais do “Box” (caixa imaginária no céu). A única rigidez dos juízes nesta categoria é a altitude mínima de execução, definido em 1500 pés, para segurança do próprio piloto iniciante, que no caso de algum erro tem altitude segura para retomar o vôo normal. É permitida inclusive a participação de competidores ainda não checados, desde que acompanhados de pilotos habilitados também conhecidos como Safety Pilots.
Esporte/Sportsman
É a segunda categoria, onde começam a ter exigências maiores no regulamento. A cada ano a seqüência conhecida, que contém de 10 a 15 manobras diferentes. Ela utiliza praticamente todos os tipos de manobras básicas e pode ser executada por todos os aviões acrobáticos, que não são muito exigidos. São feitos dois vôos que tem a duração de cerca de 3 minutos sem interrupções. A partir dela começa a ser penalizadas as incursões para fora das laterais do “Box”. Nesta categoria, assim como na básica, os aviões mais usados são o Decathlon, o Cap 10 e o Christen Eagle.
Intermediária/Intermediate
Esta categoria começa a dar mais ênfase às manobras verticais e é onde aparece o tunô rápido ou “snap” pela primeira vez. Os aviões mais utilizados são o Christen Eagle e o Extra 230.
Avançada/Advanced
Dá grande ênfase às manobras de altos Gs negativos, inclusive snaps. As seqüências têm combinações mais complexas e desgastantes. Exige aeronaves mais avançadas. Normalmente Pitts e Extra 230.
Ilimitada/Unlimited
É a ultima categoria da competição de precisão da acrobacia aérea. Permite manobras como os “tailslides” e seqüências altamente complexas. Só é competitiva com aeronaves potentes e de altíssima performance, como Sukhoi 26 e 31, Extra 300, Edge 540 e etc. Estas aeronaves são mais ágeis e resistentes a Gs que os mais modernos aviões de combate. É essencial um bom preparo físico por parte dos pilotos. Voa-se muito próximo do solo, a até um mínimo de 100 metros.O Campeonato Mundial de Acrobacia Aérea é baseado principalmente nesta categoria quanto ao aspecto de precisão, os pilotos competidores vencedores dos torneios nacionais desta categoria geralmente estão aptos a irem disputar o Mundial.
Na categoria básica cada piloto executa duas vezes a seqüência conhecida, para que seu vôo possa ser avaliado. No segundo vôo da categoria esporte o piloto pode optar por voar uma seqüência de sua escolha (livre) em vez de repetir a conhecida. Nas categorias mais complexas, que são a intermediária, a avançada e a ilimitada, são voadas três seqüências: a conhecida, a livre e a desconhecida.
Cada competidor deve voar uma vez por dia, para que os juízes o avaliem do solo. A seqüência Conhecida é pré-definida de cada ano; na Livre, o próprio piloto é responsável pela criação de acordo com critérios específicos para sua categoria e a entrega para o organizador da prova; na desconhecida, a seqüência é entregue ao competidor um dia antes e não pode ser treinada. A altura mínima para que os pilotos executem as manobras vai sendo reduzida de aprox. 500 metros (1.500pés) nas categorias básica e esporte para até cem metros, que é o caso da categoria ilimitada.
Enquanto cada piloto faz sua apresentação, os juízes – que permanecem no chão e cujo número pode chegar a 15 – avaliam as manobras a partir de técnicas apuradas, dando nota com base na maneira como a aeronave é conduzida e como são realizadas as figuras no céu. A cada erro, imprecisão ou esquecimento da seqüência pelos pilotos, o julgamento dos juízes é negativo, reduzindo a nota final do competidor.
Livre 4 minutos/Free 4 Minutes
A última categoria incluída nos campeonatos a “Estilo Livre 4 minutos”, é a mais apreciada pelo público. Nela os pilotos não executam a mesma seqüência, cada piloto fica livre para criar o que desejar. Caso seja desejo do piloto, pode-se utilizar a fumaça e até mesmo a música. Só é feito um vôo. A precisão na pilotagem e no uso dos limites do caixa não são, neste caso, os únicos requisitos para que o piloto tenha uma boa nota, mas também a simetria, a coreografia e a beleza do vôo, como se os pilotos fossem dançarinos no ar. Há inclusive um julgamento paralelo, o troféu “Preferência Popular”, em que os juízes não precisam ter conhecimentos específicos das regras dos campeonatos de acrobacia, mas apenas apreciar aviação, acrobacias e, acima de tudo, arte, esta categoria também encontra-se presente na disputa pelo Campeonato Mundial e é o segundo critério de avaliação após as competições de precisão.

Box Acrobático


As manobras durante a competição são executadas dentro de um “box”, que é uma caixa virtual no céu, com mil metros de comprimento, profundidade e altura.Nos vôos de competição, o piloto deve permanecer dentro dos limites laterais e verticais do box, onde são posicionados juizes para fiscalizar o cumprimento dessa regra As penalidades por exceder os limites do box são aplicadas através da subtração de pontos do total conquistado pelos competidores, com exceção dos limites inferiores, os quais, em razão da segurança, jamais devem ser ultrapassados, podendo o aviador zerar a sequência se isso acontecer.
As dimensões verticais do box acrobático variam conforme a categoria:
Limites inferiores
1500′ AGL: Básica e Esporte.
1200′ AGL: Intermediária.
800′ AGL: Avançada.
328′ AGL: Ilimitada.
Limite superior
3500′ AGL: Básica, Esporte, Intermediária e Avançada.
3280′ AGL: Ilimitada.
Dimensões laterais
3300′ x 3300′ ; centrada na linha dos juizes.
Nota: AGL = Above Ground Level; ou seja, é a altitude absoluta ou altura (em relação ao solo).
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